terça-feira, 21 de julho de 2015

Até mais e valeu pelos peixes

É notável como andei negligente com a manutenção desde blog nos últimos tempos. Deixei de lado desde as publicações dos pequenos periódicos como também a continuação da história que deu vida ao blog.
Inicialmente eu deixei de lado a continuação do apocalipse zumbi por discordâncias criativas entre o meu eu da data de criação da história e o meu eu de um ano depois. Por conta dessas discordâncias foi definido que a história seria arquivada para ser reescrita e continuada num futuro incerto.
No meio tempo, entre uma e outra discordância criativa criativa comigo mesmo, foram surgindo diversas outras histórias. Algumas breves, outras nem tanto.

Uma história que deveria ser citada seria a série de contos intitulada como "Kendria". Série que teve uma página publicada neste site durante anos e poucos textos foram publicados aqui. Muitos outros foram idealizados, alguns menos tiveram um desenvolvimento futuro, e menos ainda foram publicados. A série "Kendria" posteriormente se fundiu com um projeto chamado "A Vida de Jonas". Este projeto já havia sido idealizado nos primórdios do blog enquanto ainda escrevia sobre o apocalipse zumbi, mas levou bastante tempo até que me decidisse por colocá-lo no papel.
Um processo demorado se deu início desde a idealização do que seria "A Vida de Jonas" até a publicação do primeiro primeiro ensaio sobre as ideias que tinha para o projeto. Este ensaio foi publicado sob o nome de "A Estrada Temperamental". Depois disso foi idealizado um outro ensaio chamado "O Buraco do Amendoim" que nunca foi publicado e provavelmente nunca será mentira pois nunca terminei de escrever.

Tempo se passou e a decepção com "O Buraco do Amendoim" me fez deixar o projeto que agora se chamava "A Viagem de Jonas Jonas" de lado pra focar em outras ideias. Aí que um belo dia, enquanto conversava com uma amiga, resolvi escrever sobre uma personagem secundária que havia criado para acompanhar Jonas em sua viagem. O projeto teve o seu primeiro ensaio imediatamente publicado aqui sob o nome de "Depois da Hora". A ideia era descrever sobre uma jovem chamada Ana e sua passagem pela morte. Esta seria uma espécie de introdução (ou prólogo) para uma história maior a ser desenvolvida junto com o projeto "A Viagem de Jonas Jonas".

A coisa ficou por aí. Não houve muita movimentação por minha parte aqui no blog para explicar sobre essas coisas ou o que poderia vir no futuro.
Em fevereiro deste ano (2015) eu estava de férias e resolvi me desafiar a escrever em um mês um primeiro rascunho do projeto em forma de livro que agora se chamava "A Viagem de Jonas" (com um 'Jonas' a menos). Eu havia me esquecido que só tinha mais duas semanas de férias quando tive essa ideia então obviamente não terminei o rascunho do livro em um mês. Diria que no máximo tinha uns 20% completo e a coisa ficou por aí nos meses que se seguiram.

Foi uma soma de procrastinação com falta de tempo que acabei deixando este e qualquer outro projeto de lado.
Mas apesar de tudo, teve o lado bom disso que foram os spin-offs que vieram (estão por vir) a partir deste projeto e um melhor desenvolvimento da ideia de um projeto que surgiu lá nos primórdios do blog que se chamava "Kendria". Não só foi melhor desenvolvido como deu origem ao seu projeto irmão chamado "Andria".

Para explicar melhor essa confusão toda vou resumir brevemente. Kendria e Andria são dois continentes numa terra fictícia onde a maior parte das histórias que eu publicaria no blog seriam ambientadas. Os contos publicados em Kendria teriam um tom mais pra fantasia clássica quase medieval enquanto os contos publicados em Andria seriam de ficção/suspense com um tom mais steampunk.
Então eu estava pronto pra publicar o meu primeiro conto oficial sob essa nova perspectiva quando me surgiu a ideia de renovar praticamente tudo a respeito do blog. Desde o formato até o tipo de publicação. Passei um tempo trabalhando num novo blog, num novo domínio, num novo sistema, com um mesmo mas novo nome e um novo logo.

E finalmente posso dizer que o novo blog está pronto.

A partir de agora não receberá mais atualizações e novas publicações virão no novo blog. Coisas novas estão por vir, coisas que nem mesmo eu sei ao certo. Por isso, se quiser ficar por dentro e acompanhar essa bagunça acesse offpedal.com.br

Aguarde para nova informações por lá e pelo Twitter.

offpedal.com.br

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

De volta a ativa


    Resolvi repostar meus textos antigos, os primeiros por dois motivos. O primeiro é pra que eles não se percam no esquecimento como sempre acontece e segundo para que eu mesmo veja meu próprio desenvolvimento.
    Sei que esse blog anda meio parado nos últimos dois anos mas venho por meio desta republicação dizer que, como havia prometido antes, voltei a escrever a sério depois da copa (na verdade foi nos últimos dias) e comecei um novo velho projeto que é escrever meu primeiro livro. A história não é mais aquela velha do apocalipse zumbi (história que em breve, não muito em breve será recontada). Essa nova história que eu vou contar na forma de um livro surgiu de uma série de contos que tentava escrever. Série de contos que surgiu quando escrevi seu primeiro rascunho que foi postado aqui com o nome de "A Estrada Temperamental", ao ler este texto você pode pensar imaginar o que está por vir mas eu espero poder te surpreender meu caro leitor. E isto é tudo que direi por enquanto.


O Fantástico Mundo

O Nascimento


     Era um lugar branco e bem iluminado, com pessoas vestidas de branco por todos os lados e lá estava eu coberto de sangue e sem nenhuma memoria sobre como havia parado naquele lugar. Havia uma estranha sensação de sufoco, parecia que estava perdendo o pouco de consciência, até que uma das pessoas de branco me segurou pela perna e de alguma forma fez com que o sufoco parasse e junto com aquilo veio uma imensa dor e a estranha sensação de respirar oxigênio.
     Acabei descobrindo que aquilo era na verdade um lugar onde impedem a chegada de novos humanos neste mundo e que funcionava como uma espécie de recepção para esses seres apenas por fachada. E que eu era o único a chegar lá vivo nos últimos tempos e que aqueles que conduziram minha chegada mal tinham experiência em tratar com esse tipo de situação, pois eu era um dos poucos que chegara lá com vida. Pouco depois quando me dei conta eu já estava dentro de uma espécie de casulo transparente, com dois rostos bem familiares me olhando e logo perdi a consciência novamente. E durante seis anos não fui capaz de diferenciar a realidade dos sonhos.

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

O início da história

A Vida de Jonas


Um cara qualquer

Capitulo 1


A vida de Jonas Jonas



   Hoje irei contar a história de um jovem e depressivo rapaz que acabara de completar seus dezessete anos, um jovem cujo a única e melhor amiga estava morta por sua causa a pouco mais de um mês, um jovem chamado Jonas. A história de nosso pobre rapaz, assim como muitas outras, começa com uma morte. Não a sua morte pois caso ele estivesse morto não teríamos uma história, quer dizer, até teríamos uma história mas seria uma história bem diferente daquela que vou lhe contar.

terça-feira, 29 de abril de 2014

Buraco do Amendoim

    Não há lugar no universo que Arthur gostaria menos de estar que perdido num corredor de uma prisão com um nome tão idiota como Buraco do Amendoim. Ele não poderia imaginar que pessoa em sã consciência daria um nome desses para uma prisão. Mal sabia ele que os responsáveis por aquele nome não estavam nem um pouco perto de estarem num nível de sanidade aceitável quando escolheram aquele nome. Na verdade, todos os habitantes do planeta estavam sofrendo de algo que os pesquisadores gostavam de chamar de "um surto coletivo de sanidade pública causado mais uma vez pelo maldito do Dédalo e suas invenções idiotas".
    Era o início da primeira grande civilização e as pessoas de Kefra estavam começando a enfrentar os primeiros problemas comuns como em qualquer outra grande civilização que seguiu. Os lideres estavam começando a se preocupar com o excesso de habitantes na capital e reuniram seus maiores pensadores em busca de uma solução. Foi aí que Hyperion surgiu com a brilhante ideia de construir um lugar bem ali na capital onde eles poderiam trancar todos os pobres e os mendigos e finalmente limpar as ruas da cidade, e ele decidiu que chamaria aquilo de 'prisão'. Todos aplaudiram Hyperion por sua brilhante ideia e os deuses ficaram tão contentes que decidiram lhe dar de presente a imortalidade, o que foi terrível pra ele pois no dia da inauguração da prisão ele enlouqueceu e se jogou no Grande Poço Sem Fim Espartano da Cidade de Kefra e passou o resto da eternidade caindo. Pouco mais tarde naquele mesmo dia os deuses também decidiram presentear também Jânio pela criação do aplauso.

(e este texto nunca teve um fim - ou qualquer revisão)

domingo, 30 de março de 2014

Um dos primeiros

Quando resolvi voltar a escrever depois de ter passado por mais de um ano e meio sem conseguir produzir nada eu peguei todos os textos antigos do blog e guardei pra revisá-los algum dia. Nisso me deparei com esse texto. Lendo hoje, de primeira eu não fiz ideia do que queria dizer ou o que queria contar com ele, de certa forma ainda não faço completamente. Por isso resolvi repostar sem fazer nenhuma alteração, caso alguém saiba o que eu queria com ele no dia em que escrevi e postei, por favor, me diga.


Acorda


    16 de Abril e lá estava eu acordado num quarto momentos ates do nascer do sol em busca de respostas sobre o que havia me acontecido. Me levantei e encontrei um espelho e levei um enorme susto. Como poderiam 6 anos terem se passado sem que eu pudesse sequer ter notado ou sequer saber algo sobre o dia anterior. Minutos se passaram enquanto reflectia em busca de respostas para minhas inúmeras perguntas. Até que ouço passos cada momento mais próximos de onde eu estava e a porta se abre.
    Lá estava uma mulher bem mais alta e aparentemente mais velha do que eu que me chamava por um nome que não conseguia identificar. Ela dizia que já estava na hora e que se eu não me arrumasse rápido eu não chegaria a tempo. Eu perguntava: "A tempo de quê?" Mas as palavras simplesmente não saíam da minha boca.
    Então me preparei e desci uma enorme escada que não parecia ter fim. Até que me deparei com um enorme portão que parecia impossível para mim de abri-lo. E ela o fez com a maior facilidade.
    Do outro lado do porta uma enorme espécie de transporte na cor azul com um estranho detalhe amarelado me esperava com as portas abertas e por dentro uma forte claridade que parecia me cegar. Mas mesmo assim eu fui a caminho da luz com um enorme medo e receio do que estava a minha espera por lá.

O Fantástico Mundo! 000

Prólogo

Despertando em águas misteriosas


    O verão já estava chegando ao fim mas o fervor tomava conta como se fosse ainda a tarde mais intensa de todo verão. Era noite de carnaval, em 1991. Pela primeira vez pude sentir a brisa percorrendo por todo aquele lugar. O caminho estava envolto por um liquido viscoso e parecia não ter fim, pois por mais que eu seguisse em frente nada encontrava além do vazio infinito. E seguindo ao meu lado haviam outros milhares e aparentemente idênticos navegando tão rápido quanto e ao mesmo tempo tão perdidos quanto eu.
    A viagem era longa, logo fiz amizade com muitos de meus semelhantes. Aprendi sobre suas crenças e perspectivas sobre o que enfrentaríamos ao fim do infindável percurso. Ouvi lendas sobre "O Grande Ovário". Tais lendas diziam que de tempos em tempos os anciões das tribos Saculum Esquerdus e Saculum Deretus enviavam os filhos de seus melhores guerreiros para se aventurar pelo mar branco em busca do Ovule Sacra, uma dádiva dada apenas para o melhor guerreiro fornecida pelo próprio deus Ovarium. O que era aquela dádiva, isso nenhum deles parecia saber pois cada um apenas me dava uma resposta mais diferente.
    Dentre aqueles ao meu lado estava Carlos. Ele era totalmente descrente quanto as lendas sobre uma dádiva dos deuses nos esperando no fim de nossa jornada. Para ele, não havia nada além do inegável vazio de que todos estávamos fugindo. Não se importava com o que iriamos encontrar no final e sim como iriamos enfrentar toda aquela longa jornada. Embora achar seus argumentos bastante convincentes, ainda sim eu acreditava que no final encontraríamos algo realmente especial e que lá entenderíamos o motivo de toda aquela jornada.
    Não tínhamos uma forma de contar o tempo, então aquela viagem de seis dias me pareceu uma eternidade de incontáveis eras humanas. Mas como num passe de mágica, no fim da viagem, lá ela havia surgido, tão magnifica e gigantesca. Algo como nunca havia visto antes, nem nunca iria ver de novo naquela vida. Uma beleza incomensurável que trazia consigo um terrível desafio onde apenas um sairia vivo. Bom, você já deve ter notado quem foi o único a sair vivo de lá não é? Mas as chances não estavam ao meu lado e se não fosse por algo que alguns costumam chamar de 'pura sorte' eu nunca estaria aqui contando essa longa e cansativa história.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Não foi dessa vez

Quando tudo parecia estar perdido, um novo começo se teve na vida deste pobre humano. Era a tarde mais quente do verão mais quente que podia me lembrar quando me deparei com aquela que poderia ser a mais bela que podia me lembrar. Estava perdido, como de costume, e procurando onde é que teria aula naquele lugar que ainda me parecia tão estranho mas ao mesmo tempo tão acomodante. Pessoas estavam passando por todos os lados, pessoas de todas as formas e gostos e uma delas iria me ajudar a me encontrar, mas quem?
Havia uma, parecia tão perdida quanto eu mas, por algum motivo, foi quem havia escolhido para me ajudar e lá fui chamá-la. Quando se virou, tudo parou por um segundo, segundo que se tornou uma eternidade...
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E é isso...como podem ver ainda estou com problemas para escrever. Por um instante achei que minha inspiração havia retornado mas pareceu apenas um alarme falso. Ainda assim eu resolvi escrever aqui e postar esse pequeno pico do início de um retorno mas não...
Felizmente, isso já é um progresso desde a última tentativa de retomada....tenho boas expectativas para este ano, portanto, espero poder retornar ativamente em breve.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Uma Rápida História

    Essa é a história de um trovador solitário. Um jovem que sonhava com as mais belas aventuras que alguém poderia ter. Mas a vida tinha outros planos para o nosso herói. E na forma de um travesseiro batendo em seu rosto a vida lhe avisou.
        - "Você não disse que iria trabalhar hoje? Anda. Olha a hora."
    Era isso mesmo minha gente, lá estava nosso herói em seus vinte anos de idade sendo acordado pela mãe pra não se atrasar. Dá um desconto pro garoto, afinal, era sábado.
    Teve de correr pra não se atrasar, mas uma roupa teve de escolher pra se arrumar. Não foi difícil, não haviam muitas opções, pois apenas recentemente havia descoberto que se ele não levasse a roupa suja pro cesto, bom, ninguém mais o faria.
    Pra ele aquele não passava de um dia comum, mas era seu primeiro sábado no estágio. Se havia algo de especial naquele dia, bom, disso ele não sabia. E como o choque que teve ao descobrir aos 7 anos que se ele arrumasse a mala sozinho deveria ao menos por cuecas limpas, uma notícia curta ele receberia:
        - "Hoje a obra é toda sua."
    Obviamente, ele não entendeu o real significado daquilo na hora e tudo que pode pensar ou dizer foi:
        - "Tá bom."
    Ao receber a notícia ele se viu diante de uns 10 homens com no mínimo o dobro da sua idade e todos deviam lhe obedecer. A simples ideia lhe pareceu hilária, mas ele conseguiu segurar toda sua vontade de rir para ao menos parecer sério e pensar em como se responsabilizar e comandar aquelas pessoas que não receberiam muito bem ordens de um garoto com idade pra ser seu bisneto. Mas o trovador solitário sempre gostou de metáforas e logo começou a falar:
        - "Pessoal, tenho uma metáfora pra vocês. Vocês sabem o que é mais importante numa roda de samba?" - E sem muito pestanejar, um deles respondeu:
        - "A mulata."
        - "Não", - disse o trovador solitário, - "O mais importante numa roda de samba é o pandeirista, pois é ele quem dá o ritmo da roda. E nessa roda, eu sou o pandeirista e quem não estiver no meu ritmo, vai rodar."
    Obviamente ninguém levou a sério as palavras de nosso heróis, mas isso foi o bastante pra quebrar o clima entre eles e logo começaram a trabalhar.
    Até ali não pareceu tão impossível, ele já tinha dado um jeito de fazer todos lhe ouvir, agora tinha que dar conta de uma maquina grande o suficiente pra fechar uma rua e, bom, tinha também que dar um jeito de fechar essa rua sem causar um pequeno caos num também pequeno bairro.
    Resolver o problema do trânsito não lhe pareceu nada difícil, bom, era o que ele pensava. Primeiro veio o pedreiro reclamar sobre bolhas, e não, não era as imobiliárias. E pra completar ninguém parecia aceitar que direita é direita e esquerda é esquerda. Bom, nada que algumas placas com setas não pudessem ajudar o trovador solitário a escapar daquela furada.
    Problema do trânsito resolvido, agora hora da maquina entrar em ação e transformar aquela pequena rocha com seus 26 metros e nada mais que pó. Por um segundo seu coração parou ao ver a máquina esbarrar num poste e quase deixar alguns moradores bem irritados pela falta de luz. Não se lembrava de ter tido tanto pavor desde a última vez que sonhou com o homem do saco fazia um bom tempo.
    E quando tudo parecia ir bem, mais uma vez a maquina ataca e destrói a tubulação de abastecimento d'água de um morador nada amigável.
        - "E quem é que vai concertar?" - O morador reclamou.
        - "Deixa comigo." - Nosso herói logo falou.
    Estavam todos prontos e dispostos a concertar, mas a grana era o responsável que devia desembolsar. E nisso todos olharam para o nosso herói esperando algo, e algo ele falou:
        - "Eu por acaso tenho cara de Papai Noel?"
        - "Mas doutor...É o responsável quem tem que comprar o material pra gente trabalhar."
    "Droga", ele pensou, "Esse cara tem razão." Sacou sua carteira em busca de algum dinheiro. E como ele desejava que aquelas notas do banco imobiliário que a vida inteira ganhou agora lhe servissem.
    Mais um problema resolvido e o dia logo chegaria ao fim. Começou como um dia qualquer o que acabou se tornando um dos dias mais importantes da vida de nosso herói. Foi ali, enquanto olhava todas aquelas pessoas indo embora, enquanto assistia aquela monstruosidade de máquina sendo levada embora, era enquanto assistia o sol se por sentado no meio fio olhando para o céu que ele finalmente percebeu toda a responsabilidade que encarou naquele dia, foi quando ele finalmente percebeu como havia se saído bem embora todas as dificuldades, foi ali naquele momento que ele percebeu que com a idade vinham as responsabilidades e a única forma de enfrentar aquilo tudo era com maturidade. Ele achava que não tinha nem sequer uma gota de maturidade. Desde o início daquele ano ele havia decidido que era a hora de fazer algo de sua vida, começar a trabalhar, mas maturidade não era o que via de forma alguma em si mesmo, afinal, até pouco tempo ele nem mesmo sabia que era possível ir ao zoológico se não fosse pelo passeio escolar. E foi quando o último raio de sol sumiu no horizonte que ele finalmente pode enxergar, ele cresceu.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

A Estrada Temperamental

    Terrafirme. Era como costumavam chamar. Uma longa e longa estrada tão antiga quanto o próprio tempo. Histórias diziam que antes mesmo do primeiro ser vivo começar a rastejar pela terra, aquela estrada já estava lá. Algo curioso sobre ela é que ela parecia sempre infinita e ainda assim não parava de crescer. Era como se tivesse vida própria. Aliás, ela tinha vida própria e era bastante temperamental. Se de alguma forma ela se sentir ofendida enquanto você estiver atravessando por ela, bom, digamos apenas que é melhor que não a insulte, nem mesmo pense nisso.
    Bom, você deve estar se perguntando por que motivos alguém se atreveria a seguir por uma estrada tão temperamental quanto a nossa querida e amarelada Estrada Dolor, passaram a chamá-la assim depois da grande crise de memória que teve quando não sabia mais como chegar aos lugares. Ah, péssima época, bastava entrar na estrada mesmo que pra ir à esquina comprar alguns pães e ovos pra fazer um café da manhã e ela te jogava pro outro lado do continente no meio de todos aqueles piratas do deserto, mas falaremos sobre esses piratas mais tarde.
    Onde eu estava? Ah, sim...falava da estrada de Dédalo. Não aquele Dédalo grego famoso por criar o labirinto de Creta que foi usado para prender aquele amável minotauro, tá pra nascer criatura mais gentil, e festeira, boatos dizem que o minotauro é o responsável pelas maiores festas do Olimpo, coisa de dar inveja no próprio Dionísio. Mas voltando ao nosso mago, Dédalo, esse sim era um mago bem complicado. Era graças a ele que a estrada havia se tornado tão temperamental e expansiva. Nada que fazia saía como queria. Foi tentando criar um feitiço rápido pra conseguir fazer ovos fritos instantâneos que ele criou vida e fez sair uma galinha de dentro daquele ovo. Isso teve um impacto terrível na economia agropecuária, pois até então a única forma de se conseguir ovos era plantando uma muda de abacate misturado com feijão e goiaba, tudo isso dentro de um coco à numa profundidade seis vezes o tamanho da perna do velho Ton. Tudo isso pra um mês depois se conseguir duas dúzias de ovos, e depois todo o processo deveria se repetir. Bom, graças à Dédalo surgiram pequenas criaturas gordinhas que podiam cagar essas coisas. Isso obviamente não agradou nem um pouco os senhores donos de todas aquelas plantações de ovos e resultou no segundo assassinato dele. O primeiro foi só um acidente com um secador de cabelo.
    Acho que acabei divagando e perdi o foco da história que era como nosso herói, Jonas Jonas, estava indo naquela estrada e o por que, mas acho melhor deixar essa história pra outro dia.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Depois da hora - Três meses depois

    A primeira semana foi a mais difícil.
    A segunda pior ainda.
    A terceira, ah, essa não foi nada boa.
    Mas na quarta ela começou a aceitar sua condição.
    Nada daquilo fazia sentido. Para Ana, depois que morremos apenas a eterna escuridão e o vazio nos espera. Mas aquilo? Estava destinada a vagar sem rumo algum ou qualquer contato com qualquer pessoa viva? E se aquilo acontecia com todos aqueles que morriam, por que é que até agora, dois meses depois de sua morte, não havia visto nenhuma outra pessoa sequer na mesma situação? Alguma coisa não estava certa, e no início do terceiro mês, ela estava decidida a descobrir o que era.
    Teria alguma coisa a ver com a sua família? Não, ela já havia visitado todos e ninguém parecia notar que estava lá. Amigos? Bom, nenhum deles também pareceu notá-la. Seriam negócios inacabados? Já havia visto alguns filmes sobre isso. A pessoa morre e sua alma não recebe um descanso enquanto resolvesse alguma pendência. Mas, o que poderia ser essa pendência?
    Ana tentava se lembrar do dia de sua morte, mas nada vinha. Já estava morta por 3 meses e ainda não havia conseguido se lembrar de como morreu. Ela sabia que havia alguma coisa a ver com fogo, já que sua casa estava completamente tostada.
    Já que não conseguia se lembrar do dia, ou mesmo da semana de sua morte ela resolveu tentar com algo mais fácil. Qual era a última coisa que se lembrava? Jonas. Bom, já era um começo. Mas por que Jonas? Teria ele alguma coisa com sua morte? Não. Não Jonas, ele não faria uma coisa dessas. Faria? Bom, havia algo mais que ela devia se lembrar. Tinha completa certeza de que era algo extremamente importante. Talvez Jonas soubesse. Ele com certeza saberia.

domingo, 24 de novembro de 2013

Depois da hora - Um mês depois

    O som das sirenes ecoando pelos becos do centro não parecia ter fim. Ela seguia em direção ao som e quanto mais se aproximava, mais distante parecia estar. Aquilo só aumentava a frustração trazendo sempre o mesmo pensamento "Essa merda o tempo todo. Nunca para."
    Desde que havia morrido Ana sempre se via presa nos seus últimos momentos de vida. O som das sirenes se aproximando, ela tentando se movimentar pra sair, pra fugir daquele lugar, de todo aquele fogo que consumia a casa de seus pais e logo faria o mesmo com ela.
    "Aquela merda de remédio. Onde estava com a cabeça quando resolvi tomar aquilo?" - Não fosse pela reação alérgica que seu corpo teve ao remédio que havia acabado de tomar, seu corpo não estaria imóvel quando ouviu a explosão na cozinha e não estaria presa naquele banheiro apenas esperando o fogo, que já começava a atingir a porta, consumir todo o seu corpo deixando apenas restos carbonizados.
    O som das sirenes parecia aumentar, mas ninguém chegaria a tempo de regatá-la. Ela estava destinada a morrer ali. Ao menos não sofreria com o fogo. Se ela não desmaiasse primeiro pela falta de ar, mesmo quando o fogo alcançasse seu corpo ela não iria sentir nada além daquele maldito formigamento.
    A próxima coisa que se lembrava era de acordar deitada no exato ponto onde deveria existir sua casa, mas nada além de cinzas ela via ao seu redor. Como ela poderia ter sobrevivido aquele incêndio? E pra onde foram todas aquelas sirenes?
    Por semanas ela andou pelas ruas e ninguém sequer podia notar sua presença, como se ela não estivesse ali. Apenas quando encontrou sua lápide algumas semanas depois ela conseguiu entender que estava morta.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

O Fantástico Mundo - Uma Ilha?

    Ploc... ploc... ploc... De onde vinha... ploc... essa água? ...ploc... Uma enorme dor... ploc... bem na minha cabeça. Ploc... Eu me levantei tentando focar em qualquer coisa que estivesse pela frente. A dificuldade era grande, mas eu via o azul. Um longo e enorme oceano azul. Foi de lá que eu vim? Aquele som? Parou. Por que parou?
    Quando me levantei e olhei para baixo vi uma grande poça vermelha. Aquilo só podia ser meu sangue. Mas de onde é que vinha... Arg...é daí que vem. Mas onde foi que eu bati com a cabeça? Bom, isso não importa. Agora eu preciso descobrir que lugar é esse. A última coisa que lembro é estar olhando as estrelas enquanto boiava numa jangada no meio do nada.
    Nenhum sinal da jangada. Mas a o deck onde eu estava se parecia muito com ela. Restava eu seguir em frente e ver o que podia encontrar.
    Logo no fim do corredor do deck tinha uma cabana de madeira. A porta estava aberta. - "Tem alguém aí?" - Ninguém respondeu. Do lado de dentro tinha uma mesa grande com algumas folhas espalhadas, mas a poeira era tanta que mal podia distinguir o que era cada coisa. Cercando toda a parede da cabana, exceto pela porta, haviam estantes ainda mais empoeiradas que a mesa ali no centro. Alguns frascos que pareciam vazios, nada que pudesse identificar.
    Tirei a poeira de uma das folhas e vi um mapa e ali estava o deck. Aquilo era uma ilha, parecia deserta já que não havia nada que indicasse casas construídas por lá. Mas o mapa indicava algo importante bem no centro da ilha. Que maravilha, era no topo de uma montanha que não parecia nada fácil de se escalar.
    Por mais que odiasse, aquela era a única coisa de útil que havia encontrado naquela cabana. Não me restava nada a fazer a não ser subir naquela montanha e descobrir na sorte o que mais vinha pela frente.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

O Fantástico Mundo - Acordando em Águas Misteriosas

    Tudo parecia estar pela primeira vez em paz. Não havia nada com o que se preocupar, na verdade não havia nada. Apenas o vazio, e por mais que isso possa assustar algumas pessoas, aquilo me acalmava. Como se pudesse vagar pelo vazio por eras enquanto pensava na simples inexistência das coisas ou se um dia elas iriam existir, e se já existiram, por que é que deixaram de existir. Nada além da minha própria consciência. Poderia viver daquela forma eternamente, se é que viver é a palavra certa. Mas nada que é bom dura eternamente e aquilo tudo logo seria interrompido.
    Parecia que água estava percorrendo por meu rosto, o que não fazia sentido, pois até tempo atrás não existia nada, como poderia eu ter um rosto? Como poderia existir água? E aquilo percorrendo por meus cabelos? Seria aquilo o vento? Nada mais fazia sentido naquele lugar, até que meus olhos se abriram. Perdi a noção de quanto tempo levei até que pudesse enxergar qualquer coisa pela frente nitidamente. Parecia um rio, mas por algum motivo eu não estava afundando nele. Por que é que eu não afundava? Olhei por todas as partes em busca de uma resposta e lá estava. Bem debaixo do meu nariz, literalmente. Aquilo parecia um deck de madeira. Mas algo não estava certo. Pelo que sabia ele deveria estar preso em algo e não a deriva em um rio qualquer.
    Mais uma vez o tempo passou e ali eu presenciei pela primeira vez em muito tempo o nascer do dia e o por do sol. Quantos eu assisti até que encontrasse algo mais que apenas uma vastidão azul pela frente, eu já havia perdido a conta.
    Todos os dias eram nas estrelas que eu me encontrava o mais próximo de toda aquela paz que um dia tive o prazer de viver antes de despertar lá, onde quer que fosse. Era nas estrelas que me perdia em meus pensamentos sobre a minha simples existência e como se nada mais existisse. Elas seguiam por todos os lugares, meu corpo não mais existia e novamente seguia em consciência ao longo de todas elas até que num único segundo todas elas não mais existiam e se escondiam até que o sol mais uma vez ofuscasse a existência de todas elas.
    Naquele último dia em especial, algo havia de diferente. E junto com o sol, lá no horizonte surgiu um pouco de terra, que quanto mais se aproximava, maior parecia.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

O Fantástico Mundo - Momentos de um Passado Perdido

    Perdido em meio a milhares de memórias e constantes sensações de nauseias em meio uma enorme escuridão e uma voz que dizia incessantemente que estava em meu destino. Mas onde é que era esse tal destino? Afinal, o que era o destino?
    Quanto mais buscava memórias sobre qualquer que fosse aquilo que buscava, nada mais encontrava além de um sorriso. Mas que sorriso era aquele? Por longos dias, meses, ou quase um ano fui incapaz de perceber.
    Uma simples fração de segundo, novamente marcada, mas agora havia uma diferença. Podia me movimentar pelo lugar. Ver tudo aquilo que circundava a fonte de toda aquela incerteza do que é que estava acontecendo dentro daquela mente tão conturbada.
    Por horas, dias, talvez por eras passei circulando por aquele lugar. O tempo ali parecia não existir. Apenas um momento congelado estava registrado e ainda assim podia encontrar o suficiente para preencher uma vida sem ter o que faltar.
    A iluminação no lugar era péssima, e com ela havia um zumbido constante de vozes, múrmuros. Do lado direito tinha uma planta, seria aquilo um coqueiro? Disso não tinha certeza, mas podia ver claramente que não cresceria mais do que já havia crescido desde que fora enjaulada dentro daquele vazo de plantas. Ainda assim carregava consigo uma beleza extraordinária que se acentuava ainda mais com aquela pobre iluminação.
    Depois de tanto olhar para todos aqueles rostos eu pode identificar um velho amigo de infância cujo nome não seria capaz de lembrar. Mas que de algo eu lembraria era de sua enorme pança que com o tempo desaparecia. Meu amigo algo parecia dizer, mas nada conseguia entender. Logo depois de examinar o lugar, viu que aquilo era um bar. Em minha direita tudo que havia era um bar. O banheiro era pequeno e apertado, como sabia daquilo, eu não fazia ideia.
    Por mais que todas aquelas informações pareciam me surgir em mente enquanto explorava aquela fração de segundo que estava eternizada em minha mente por algum motivo desconhecido, algo me prendia a atenção. Em meio tudo aquilo havia um sorriso. Uma peruca de longos cabelos cacheados incrivelmente arrepiados tomava conta de toda paisagem, mais aquilo não era um problema. Por algum motivo gostava daquilo. Aqueles olhos estavam bem fechados, mas não o sorriso, e naquela pele morena pobremente iluminada por toda aquela fraca luz amarelada pude perceber que naquele universo havia algo mais que minha simples existência egocêntrica.
    O que era tudo aquilo? Mais uma vez, por muito tempo a resposta fiquei sem saber.

O Fantástico Mundo - O Futuro do Mundo

    E mais uma vez minha memoria havia me enganado e me deixado perdido em meio à multidão. Milhares de rostos passavam ao meu redor, mas nenhum deles conhecido. Que lugar era aquele? Onde diabos estava? Era tudo o que passava em mente, mas nenhuma resposta acolhedora viria àquelas perguntas.
    Já estava caminhando sem rumo havia horas quando a avistou e por um milésimo, uma simples fração de um momento que nunca mais poderia se repetir lá estava ela. Roxo, era a única cor que vinha em meio toda aquela turbulência de informações e pessoas transitando de um lado pro outro em busca de uma resposta para finalmente acalentar suas dúvidas sobre a vida e o que ela viria de lhes apresentar a seguir.
    Anos se passaram e ainda hoje não sei exatamente o que aconteceu, mas o que sei é que desde o momento em que à avistei pela primeira vez em diante eu não mais conseguiria abandoná-la. E lá estava eu seguindo ao seu lado sem mesmo ter certeza de seu nome (isso acontecia com certa frequência) seguindo rumo ao desconhecido. Por alguns lugares passamos, mas entre todos eles apenas um foi capaz de manter seu nome fixo e minha memória por mais que o tempo pudesse me calar. Era Sílvia, assim dizia ser enquanto falava em frente todos nós. Era loira e alta, e era levemente arrogante, ainda sim era uma boa pessoa, porem disso eu só pude saber alguns anos mais a frente e naquele momento estávamos lá assistindo enquanto Sílvia majestosamente nos falava sobre os segredos do universo que poderíamos descobrir caso seguíssemos o seu caminho.
    Sílvia era uma boa pessoa e me fez sentir um enorme lixo por não ser capaz de seguir seus passos a fim de desbravar os segredos que somente ela e poucos nesta terra de tupiniquins conheciam e por dois longos anos esta sensação se alongou até que pudesse conhecer a anã marrenta (mas isso é outra história).
    Depois de lá, seguimos em frente sem saber o que iriamos encontrar. Ainda hoje consigo me lembrar de seus olhos escuros, que alguns dizem ser castanhos, e daqueles caracóis ao longo de seus cabelos. A sensação que estava começando ali era totalmente desconhecida e apenas quase cinco anos depois fui capaz de perceber.
    O que era? Bom, talvez um dia saberá.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

O Fantástico Mundo! 001

Era o fim do primeiro dia quando paramos para descansar.


     O caminho parecia cada vez mais difícil e estávamos exaustos...
     Carlos tinha uma vantagem de alguns segundos. Mas o tempo também parecia ser uma variável um pouco diferente naquele lugar. O que parecia ser apenas alguns segundos de diferença de distância lá, seria capaz de se tornar alguns meses ou até anos, não se sabe ao certo. E essa diferença deu espaço para acontecimentos que acabaram por trazer o triste fim de Carlos e garantir minha passagem pelo longo portal com mais um enorme caminho que levei cerca de 9 meses para atravessar.

     Quando cheguei finalmente na superfície daquele misterioso planeta enorme, pude ver estranhas formas que não pude definir se eram vivas ou apenas faziam parte do próprio planeta.
Parecia uma espécie de rocha que cobria sua estrutura. Mas como eu ouvi nas histórias que Carlos me contava sobre o outro mudo, eu sabia que tinha que descobrir uma forma de passar por aquela camada superficial porque logo depois encontraria um interior puro e confortante. Que era o que todos nós buscávamos, mas eu sábia que seria eu aquele que conseguiria ultrapassar as barreiras da existência.
     Então decidi procurar uma brecha. Andei, andei, andei e quando mais andava em busca da brecha, mais eu perdia as esperanças. Mas foi quando menos esperava que me dei conta de uma estranha movimentação dos ventos em parte daquela superfície.
     Encontrei uma marca que parecia mais uma letra grega. No centro da marca havia uma espécie de fissura que ao me aproximar eu reparei que dela saía uma pequena corrente de ar ou algo parecido, mas que somente de chegar perto trazia uma estranha sensação de felicidade. E quando mais chegava perto mais a fissura aumentava. Até um estranho clarão saiu dela e fui sugado pro interior do grande planeta e mergulhei numa longa viajem.

     Durante a viagem foram 9 meses em um lugar que parecia não existir exactamente, como se fosse apenas um universo que surgiu entre o vazio da existência e dos sonhos. E como eu já disse, o tempo parecia não ter regras naquele lugar, mas o que aconteceu lá são contos para outros dias.
E o que aconteceu com Carlos você também não vai saber agora. Mas fique tranquilo, pois em breve contarei como foi que o que parecia ser impossível acabou acontecendo e reverteu uma situação que parecia irreversível.

E esse foi mais um pouco sobre o começo de tudo. Espero que tenha gostado, pois a partir de agora contarei contos sobre eventos a partir do momento em que terminei essa viajem. Caso você goste dessas histórias, logo ficará sabendo dos contos dos 9 meses esquecidos.

Clique aqui e leia em inglês.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

O Apocalipse Zumbi (post 31)

Capítulo 10 – Malditos Ghouls
Parte 1

René Duarv
Vila Ténor

A porta já estava trancada, mas aquilo não livrava René da ameaça que estava lá fora e ele precisava encontrar algo melhor do que aquela simples porta de madeira para proteger sua avó Marieta.
- Vó? Rápido, temos que encontrar um lugar seguro pra esconder a senhora. - Disse René.
- Me esconder do que? E o que é que está acontecendo lá fora? Que gritaria toda é essa? - Perguntou Marieta.
- Você se lembra daquelas histórias que o vô contava sobre seus antepassados? Bom, parece que algumas delas não eram lendas.
- O que?
- Tinha uma história que ele contava às vezes sobre o Oeste. Sobre os dias sombrios.
- Eu me lembro. Era uma de suas histórias favoritas. Como um de seus antepassados salvou um vilarejo do Oeste de um ataque de Ghouls durante um desses dias sombrios.
- Eu não tenho muita certeza do que eu vi, mas as descrições do vovô batem. Tem umas coisas lá fora atacando a vila. São Ghouls.
- Mas o que você está dizendo? Mesmo que esses Ghouls fossem reais. As lendas eram muito claras em dizer que eles nunca saíam do Oeste. Por mais que fossem criaturas perigosas, existiam coisas piores naquela floresta que até mesmo os Ghouls temiam e por isso nunca saiam do Oeste.
- Vó, eu não pude velos de perto, mas tenho quase certeza de que eram Ghouls, como os da história. E olha só isso. Ainda é meio dia e o céu está escurecendo mais a cada minuto.
Aquilo fez Marieta parar. Era muita informação para processar ao mesmo tempo. Se os Ghouls eram mesmo reais, significava que as outras criaturas de quem seu marido Rudolf contava eram todas reais. Depois de um momento de silêncio ela parecia estar decidida.
- Vá até a sala, empurre o sofá e levante o tapete. Você vai ver um piso falso. Dentro dele tem uma sacola contendo uma arma e roupas usadas pelos seus ancestrais responsáveis pela vigilância da floresta.
Ele o fez e encontrou a sacola. Dentro dela tinha um conjunto de uma roupa um tanto estranha, mas era um tecido marrom feito de algo que René nunca havia visto na vida. Por mais estranho que fosse era algo bem resistente, com certeza o protegeria bem mais do que suas velhas roupas de caça. Além das roupas tinha algo completamente enrolado em um pano velho. Era uma espada. O mais surpreendente era que a lamina da espada ainda estava muito bem afiada que fez com que René cortasse a ponta do dedo indicador com um simples deslizar.
- Olha. Eu tenho certeza de que essa roupa pode ser muito útil. Mas uma espada?
- Seu avô dizia que essa espada foi forjada pelos Agni a mando do próprio Rei Elíadas. Os Agni eram os melhores ferreiros de toda aquela época. Ela tem um símbolo de um dragão esculpido por toda sua empenhadura.
- Empenhadura?
- É a parte onde você segura. Deuses é só olhar que você vai ver onde é.
- É uma espada muito boa e tudo mais. Mas vó. A galera lá fora tá armada com a mais moderna tecnologia e tudo que a gente tem aqui pra se proteger é uma espada de mais de cinco mil anos de idade.
- Não se preocupe. Na casa de Guillian tem um arco e flechas escondido, ele sempre foi muito bom de mira. Vocês vão se sair bem.
- Um arco e flechas? Puta que paril, vamo morrer nessa merda.
- O que foi que você disse meu neto?
- Eh, uh nada não vó. Olha, por que a senhora não se esconde no porão enquanto eu vou buscar esse arco e flechas que vai salvar nossa pele?
- Tudo bem. Já vou indo. Mas tome cuidado e lembre-se do que seu avô lhe ensinou.
Marieta desceu por uma escada escondida que levava ao porão e enquanto isso René vestia as roupas que encontrara até que um barulho veio da porta. Na primeira parecia apenas alguém batendo na porta. Mas logo se tornaram golpes mais fortes. Eram Ghouls tentando arrombar a porta.
René se preparou com a única arma que tinha. Como era canhoto, sacou a espada da bainha presa ao seu cinto com a mão direita e apenas esperou que a porta tombasse. Depois de muitas tentativas, a porta foi ao chão trazendo para dentro de casa a criatura mais horrorosa que René já havia visto na vida até aquele momento.


Continue lendo...(próxima sexta-feira Parte 2)

sexta-feira, 6 de julho de 2012

O Apocalipse Zumbi (post 28)


Capítulo 8 – Portão Norte
Parte 3
René Duarv
Vila Ténor
- Então ele está bem? - Indagou René.
- Ao que tudo indica o soro não o matou. Agora vamos ver se funcionou contra a infecção. - Respondeu Doutora Miller e pegou novamente um aparelho que havia usado antes para checar o sangue de Guillian. - De acordo com os resultados. Parece que o soro 27-D foi efetivo. Ele irá permanecer desacordado até que todo seu corpo se recupere do choque.
- E quanto tempo isso pode demorar?
- Isso só vai depender do seu amigo e do quanto ele gosta de viver.
- Que tal levarmos ele...
Um estranho zumbido vindo do lado de fora do carro tartaruga interrompeu Duane que o fez sacar sua pistola do cinto e correr para o lado de fora fazendo todos, exceto por Guillian que ainda estava desacordado e amarrado na maca, saírem do carro.
- Mas o que foi que aconteceu neste lugar? Onde foi parar o Sol? - Indagou General Duane.
- De onde vieram todas essas nuvens? - Perguntou Steve, que também estava dentro do carro tartaruga ajudando a Doutora Miller.
- Pergunte ao garoto, ele quem deve saber de alguma coisa. - Disse Doutora Miller.
- Do que você tá falando?  - Indagou René.
- Duarv. Não é esse seu sobrenome? Li nos arquivos dessa cidade que os únicos Saltomus restantes aqui eram os da família Minor e Duarv.
- Mas o que isso tem a ver com as nuvens?
- Sua família não lhe contava contos sobre os seus antepassados? Deve haver alguma coisa sobre isso.
- Mas isso não faz sentido. Quer dizer. Meu avô me contava algumas histórias. Mas eram só histórias.
- Garoto. Sua família carrega mais de cinco mil anos de histórias sobre essa floresta. Sejam elas lendas ou reais. Não tem nada sobre o céu fechando de repente em um pleno verão?
- General, na verdade não estamos mais no Oeste. Aqui ainda está na primavera. E no verão é normal que o dia passe de ensolarado para nublado. É o que chamam de chuvas de verão. Tenho certeza de que isso não se trata de uma chuva de verão, apesar de estarmos na primavera. - Explicou Steve.
- Steve. O senhor poderia me fazer o favor de ir se foder. - Resmungou General Duane.
- Calem essas bocas e deixem que o René diga logo o que sabe. - Disse Doutora Miller.
René estava tão focado com o estranho zumbido que vinha da floresta que nem prestava atenção na discussão deles que só retornou quando todos estavam berrando seu nome.
- O meu avô costumava me contar algumas histórias antes de morrer. Uma dela, se eu lembro bem, era a respeito ao Sol. Havia criaturas que perambulavam pela Floresta de Awalon que não suportavam a luz do Sol. Alguns segundos no Sol e feridas enormes de queimaduras surgiam. Mas por algum motivo que não consigo me lembrar disso agora, havia dias em que o céu se fechava e o dia se tornava noite. E finalmente as criaturas podiam sair da floresta durante o dia e teriam um banquete digno de reis. - Explicou René.
- E o que exatamente eles comiam nesse banquete? - Perguntou Steve.
- Qualquer coisa viva. E os seres-humanos eram comida fácil de encontrar e de se matar. Terríveis massacres aconteciam nesses dias negros. Se não me engano, os antigos Saltomus os chamavam de Ghouls. Eram criaturas humanoides bem altas, mas andavam sempre com as costas tão encurvadas que pareciam lobos, principalmente, pela forma que eles andavam, com a ajuda das mãos. Isso dava a eles uma velocidade muito maior do que até mesmo os próprios lobos. Mas pelo que meu avô me contava os massacres só aconteciam na região Oeste da floresta, que era onde essas criaturas viviam.
- E o que as trariam tão longe até o Portão Norte? - Perguntou Steve, novamente.
- Seja lá o que for só vamos descobrir quando chegarmos lá. Agora o que temos que fazer é fechar este maldito portão. - Disse General Duane que logo foi atendido por Steve que correu até os guardas gritando que eles deviam fechar o portão o mais rápido possível.
O portão foi fechado a tempo até que o primeiro Ghoul aparecesse empurrando as grades tentando passar.
- Mas que merda de portão é esse? O que aconteceu com aquele portão enorme de madeira que sempre esteve aí? - Perguntou General Duane.
René riu. Ele achava que o destino estava apenas pregando uma peça com todos eles.
- Nosso querido prefeito Eduardo Sais mandou tirar os portões no mês passado dizendo que iria reforma-los. - Explicou René.
- Droga. Maldito Eduardo Sais. - Resmungou Duane.
- General. São muitos, e não para de chegar mais. Esse portãozinho aí não vai aguentar muito tempo com todos eles forçando a trava.
O pavor se espalhava pela vila e aos poucos saíam maridos com as poucas armas que tinham em casa prontos para defender sua preciosa família que se escondia do mal que a muito tempo não trazia terror aquele lugar.
- Droga, eu tenho que ver minha avó. - Gritou René que logo saiu correndo na direção de sua casa pra alertar sua avó e protege-la e tudo que pode ouvir foi Duane reclamando com Doutora Miller.
- Mas onde é que esse moleque vai?
Nas suas costas veio o som das travas do portão se rompendo seguido por uma enorme gritaria se espalhando por toda a vila e disparos de tiros e sons de corpos caídos no chão. René não pode ver quem fora atacado, ou ao menos se as armas estavam sendo efetivas contra aquelas grotescas criaturas, mas não importava, pois ele estava desarmado. Havia deixado sua arma de caça dentro do carro tartaruga do general e não tinha tempo de busca-la sem ser morto. A casa de sua avó estava apenas há alguns metros de distância e toda sua preciosa Vila Ténor estava sendo massacrada por Ghouls.

Continue lendo...(próxima sexta-feira Capítulo 9)

sexta-feira, 29 de junho de 2012

O Apocalipse Zumbi (post 27)


Capitulo 8 – Portão Norte
Parte 2
René Duarv
Vila Ténor
- Você sabe qual é o problema dele? - Perguntou René.
- Há algumas semanas seu amigo encontrou um homem que estava aparentemente morto na floresta. Mas não estava ele estava doente. E pode ser que seu amigo também esteja contaminado.
- Mas se Guillian está contaminado. Não quer dizer que todos que tiveram contato com ele também esteja contaminado?
- Não enquanto ele não tiver desenvolvido a doença por completo, senhor...
- René. René Duarv. E você é?
- General Duane Estrella a seu dispor. Agora, traga logo seu amigo antes que seja tarde demais.
René não tinha certeza se podia confiar em Duane, mas não tinha outra escolha. Ele sabia que algo de errado vinha acontecendo com Guilian já há algum tempo, mas seja lá o que fosse ninguém naquela vila era capaz de trata-lo.
Eles levaram Guilian até o carro tartaruga de onde saiu Duane. Já era enorme pelo lado de fora, mas por dentro parecia ser maior ainda. Era tudo num verde camuflado desde o lado de fora até o lado de dentro, com exceção de alguns equipamentos e uma maca de alumínio montada no centro do carro. Tinham duas pessoas lá dentro.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

O Apocalipse Zumbi (post 26)


Capitulo 8 – Portão Norte
Parte 1
René Duarv
Na pacata Vila Ténor
A enorme Floresta de Awalon jazia adormecida por milênios no mesmo lugar. Civilizações se ergueram e sucumbiram ao seu redor, mas a enorme floresta permanecia. Homens temiam o que desconheciam, temiam o que existia no interior da floresta e precisavam encontrar uma forma de controlar ou ao menos neutralizar um lugar onde pessoas entravam para se aventurar e nunca mais eram vistas muito menos seus corpos eram encontrados. A solução encontrada foi cercar os limites da floresta isolando-a do resto do mundo, mas aquilo já foi a tanto tempo que as pessoas se esqueceram do porque havia uma gigantesca muralha cercando aquela floresta que há anos já era chamada de Reserva Florestal Amazônia.
A Floresta de Awalon permaneceu esquecida do mundo exceto pelos descendentes de um dos mais antigos povos da terra, os Saltomus. Eles foram nomeados pelo Grande Rei Elíadas, que deu seu próprio nome a muralha que construía ao redor da floresta. Como ele mesmo sabia que nem mesmo seus filhos viveriam o bastante até chegar o dia em que a construção da Muralha de Elíadas estivesse completa, ele precisava de alguém que dedicasse sua vida a proteger o mundo do mal que habitava naquela floresta. Os mais corajosos guerreiros foram nomeados para tal trabalho, foram nomeados como a Patrulha Saltum.
Os guerreiros da Patrulha Saltum vagaram por anos sozinhos pela floresta, muitos morreram, muitos fugiram e muitos simplesmente desapareceram na floresta. Com o passar dos anos alguns constituíram família ao redor da floresta surgindo assim quatro grandes vilas, cada uma sitiada em um ponto extremo da floresta. Nas vilas São Tomé, o protetor dos patrulheiros da floresta, viviam as esposas e os filhos dos patrulheiros que logo seguiriam os passos dos pais. Com o passar do tempo o trabalho antes dado pelo Rei Elíadas havia se tornado uma tradição de um povo que agora se chamava de Saltomus. E quando finalmente a grande muralha estava pronta, os Saltomus construíram quatro portões que davam entrada para a Floresta de Awalon.
O Portão Sul era cercado pela maior cidade Saltom que com a chegada de outras civilizações se tornou um grande centro militar que foi destruído durante a grande guerra e permaneceu inabitado até se tornar a cidade de Nova Aliança anos mais tarde. Ao redor das ruínas do Portão Sul foi construído o Hospital MaxLotus.
O Portão Oeste sempre foi cercado por um pequeno vilarejo que foi abandonado durante a grande guerra.
O Portão Leste também era cercado por um pequeno vilarejo que se tornou uma pequena base de treinamento militar durante a grande guerra e depois foi abandonada.
O Portão Norte é o mais distante onde vivia