terça-feira, 29 de abril de 2014

Buraco do Amendoim

    Não há lugar no universo que Arthur gostaria menos de estar que perdido num corredor de uma prisão com um nome tão idiota como Buraco do Amendoim. Ele não poderia imaginar que pessoa em sã consciência daria um nome desses para uma prisão. Mal sabia ele que os responsáveis por aquele nome não estavam nem um pouco perto de estarem num nível de sanidade aceitável quando escolheram aquele nome. Na verdade, todos os habitantes do planeta estavam sofrendo de algo que os pesquisadores gostavam de chamar de "um surto coletivo de sanidade pública causado mais uma vez pelo maldito do Dédalo e suas invenções idiotas".
    Era o início da primeira grande civilização e as pessoas de Kefra estavam começando a enfrentar os primeiros problemas comuns como em qualquer outra grande civilização que seguiu. Os lideres estavam começando a se preocupar com o excesso de habitantes na capital e reuniram seus maiores pensadores em busca de uma solução. Foi aí que Hyperion surgiu com a brilhante ideia de construir um lugar bem ali na capital onde eles poderiam trancar todos os pobres e os mendigos e finalmente limpar as ruas da cidade, e ele decidiu que chamaria aquilo de 'prisão'. Todos aplaudiram Hyperion por sua brilhante ideia e os deuses ficaram tão contentes que decidiram lhe dar de presente a imortalidade, o que foi terrível pra ele pois no dia da inauguração da prisão ele enlouqueceu e se jogou no Grande Poço Sem Fim Espartano da Cidade de Kefra e passou o resto da eternidade caindo. Pouco mais tarde naquele mesmo dia os deuses também decidiram presentear também Jânio pela criação do aplauso.

(e este texto nunca teve um fim - ou qualquer revisão)

domingo, 30 de março de 2014

Um dos primeiros

Quando resolvi voltar a escrever depois de ter passado por mais de um ano e meio sem conseguir produzir nada eu peguei todos os textos antigos do blog e guardei pra revisá-los algum dia. Nisso me deparei com esse texto. Lendo hoje, de primeira eu não fiz ideia do que queria dizer ou o que queria contar com ele, de certa forma ainda não faço completamente. Por isso resolvi repostar sem fazer nenhuma alteração, caso alguém saiba o que eu queria com ele no dia em que escrevi e postei, por favor, me diga.


Acorda


    16 de Abril e lá estava eu acordado num quarto momentos ates do nascer do sol em busca de respostas sobre o que havia me acontecido. Me levantei e encontrei um espelho e levei um enorme susto. Como poderiam 6 anos terem se passado sem que eu pudesse sequer ter notado ou sequer saber algo sobre o dia anterior. Minutos se passaram enquanto reflectia em busca de respostas para minhas inúmeras perguntas. Até que ouço passos cada momento mais próximos de onde eu estava e a porta se abre.
    Lá estava uma mulher bem mais alta e aparentemente mais velha do que eu que me chamava por um nome que não conseguia identificar. Ela dizia que já estava na hora e que se eu não me arrumasse rápido eu não chegaria a tempo. Eu perguntava: "A tempo de quê?" Mas as palavras simplesmente não saíam da minha boca.
    Então me preparei e desci uma enorme escada que não parecia ter fim. Até que me deparei com um enorme portão que parecia impossível para mim de abri-lo. E ela o fez com a maior facilidade.
    Do outro lado do porta uma enorme espécie de transporte na cor azul com um estranho detalhe amarelado me esperava com as portas abertas e por dentro uma forte claridade que parecia me cegar. Mas mesmo assim eu fui a caminho da luz com um enorme medo e receio do que estava a minha espera por lá.

O Fantástico Mundo! 000

Prólogo

Despertando em águas misteriosas


    O verão já estava chegando ao fim mas o fervor tomava conta como se fosse ainda a tarde mais intensa de todo verão. Era noite de carnaval, em 1991. Pela primeira vez pude sentir a brisa percorrendo por todo aquele lugar. O caminho estava envolto por um liquido viscoso e parecia não ter fim, pois por mais que eu seguisse em frente nada encontrava além do vazio infinito. E seguindo ao meu lado haviam outros milhares e aparentemente idênticos navegando tão rápido quanto e ao mesmo tempo tão perdidos quanto eu.
    A viagem era longa, logo fiz amizade com muitos de meus semelhantes. Aprendi sobre suas crenças e perspectivas sobre o que enfrentaríamos ao fim do infindável percurso. Ouvi lendas sobre "O Grande Ovário". Tais lendas diziam que de tempos em tempos os anciões das tribos Saculum Esquerdus e Saculum Deretus enviavam os filhos de seus melhores guerreiros para se aventurar pelo mar branco em busca do Ovule Sacra, uma dádiva dada apenas para o melhor guerreiro fornecida pelo próprio deus Ovarium. O que era aquela dádiva, isso nenhum deles parecia saber pois cada um apenas me dava uma resposta mais diferente.
    Dentre aqueles ao meu lado estava Carlos. Ele era totalmente descrente quanto as lendas sobre uma dádiva dos deuses nos esperando no fim de nossa jornada. Para ele, não havia nada além do inegável vazio de que todos estávamos fugindo. Não se importava com o que iriamos encontrar no final e sim como iriamos enfrentar toda aquela longa jornada. Embora achar seus argumentos bastante convincentes, ainda sim eu acreditava que no final encontraríamos algo realmente especial e que lá entenderíamos o motivo de toda aquela jornada.
    Não tínhamos uma forma de contar o tempo, então aquela viagem de seis dias me pareceu uma eternidade de incontáveis eras humanas. Mas como num passe de mágica, no fim da viagem, lá ela havia surgido, tão magnifica e gigantesca. Algo como nunca havia visto antes, nem nunca iria ver de novo naquela vida. Uma beleza incomensurável que trazia consigo um terrível desafio onde apenas um sairia vivo. Bom, você já deve ter notado quem foi o único a sair vivo de lá não é? Mas as chances não estavam ao meu lado e se não fosse por algo que alguns costumam chamar de 'pura sorte' eu nunca estaria aqui contando essa longa e cansativa história.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Não foi dessa vez

Quando tudo parecia estar perdido, um novo começo se teve na vida deste pobre humano. Era a tarde mais quente do verão mais quente que podia me lembrar quando me deparei com aquela que poderia ser a mais bela que podia me lembrar. Estava perdido, como de costume, e procurando onde é que teria aula naquele lugar que ainda me parecia tão estranho mas ao mesmo tempo tão acomodante. Pessoas estavam passando por todos os lados, pessoas de todas as formas e gostos e uma delas iria me ajudar a me encontrar, mas quem?
Havia uma, parecia tão perdida quanto eu mas, por algum motivo, foi quem havia escolhido para me ajudar e lá fui chamá-la. Quando se virou, tudo parou por um segundo, segundo que se tornou uma eternidade...
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E é isso...como podem ver ainda estou com problemas para escrever. Por um instante achei que minha inspiração havia retornado mas pareceu apenas um alarme falso. Ainda assim eu resolvi escrever aqui e postar esse pequeno pico do início de um retorno mas não...
Felizmente, isso já é um progresso desde a última tentativa de retomada....tenho boas expectativas para este ano, portanto, espero poder retornar ativamente em breve.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Uma Rápida História

    Essa é a história de um trovador solitário. Um jovem que sonhava com as mais belas aventuras que alguém poderia ter. Mas a vida tinha outros planos para o nosso herói. E na forma de um travesseiro batendo em seu rosto a vida lhe avisou.
        - "Você não disse que iria trabalhar hoje? Anda. Olha a hora."
    Era isso mesmo minha gente, lá estava nosso herói em seus vinte anos de idade sendo acordado pela mãe pra não se atrasar. Dá um desconto pro garoto, afinal, era sábado.
    Teve de correr pra não se atrasar, mas uma roupa teve de escolher pra se arrumar. Não foi difícil, não haviam muitas opções, pois apenas recentemente havia descoberto que se ele não levasse a roupa suja pro cesto, bom, ninguém mais o faria.
    Pra ele aquele não passava de um dia comum, mas era seu primeiro sábado no estágio. Se havia algo de especial naquele dia, bom, disso ele não sabia. E como o choque que teve ao descobrir aos 7 anos que se ele arrumasse a mala sozinho deveria ao menos por cuecas limpas, uma notícia curta ele receberia:
        - "Hoje a obra é toda sua."
    Obviamente, ele não entendeu o real significado daquilo na hora e tudo que pode pensar ou dizer foi:
        - "Tá bom."
    Ao receber a notícia ele se viu diante de uns 10 homens com no mínimo o dobro da sua idade e todos deviam lhe obedecer. A simples ideia lhe pareceu hilária, mas ele conseguiu segurar toda sua vontade de rir para ao menos parecer sério e pensar em como se responsabilizar e comandar aquelas pessoas que não receberiam muito bem ordens de um garoto com idade pra ser seu bisneto. Mas o trovador solitário sempre gostou de metáforas e logo começou a falar:
        - "Pessoal, tenho uma metáfora pra vocês. Vocês sabem o que é mais importante numa roda de samba?" - E sem muito pestanejar, um deles respondeu:
        - "A mulata."
        - "Não", - disse o trovador solitário, - "O mais importante numa roda de samba é o pandeirista, pois é ele quem dá o ritmo da roda. E nessa roda, eu sou o pandeirista e quem não estiver no meu ritmo, vai rodar."
    Obviamente ninguém levou a sério as palavras de nosso heróis, mas isso foi o bastante pra quebrar o clima entre eles e logo começaram a trabalhar.
    Até ali não pareceu tão impossível, ele já tinha dado um jeito de fazer todos lhe ouvir, agora tinha que dar conta de uma maquina grande o suficiente pra fechar uma rua e, bom, tinha também que dar um jeito de fechar essa rua sem causar um pequeno caos num também pequeno bairro.
    Resolver o problema do trânsito não lhe pareceu nada difícil, bom, era o que ele pensava. Primeiro veio o pedreiro reclamar sobre bolhas, e não, não era as imobiliárias. E pra completar ninguém parecia aceitar que direita é direita e esquerda é esquerda. Bom, nada que algumas placas com setas não pudessem ajudar o trovador solitário a escapar daquela furada.
    Problema do trânsito resolvido, agora hora da maquina entrar em ação e transformar aquela pequena rocha com seus 26 metros e nada mais que pó. Por um segundo seu coração parou ao ver a máquina esbarrar num poste e quase deixar alguns moradores bem irritados pela falta de luz. Não se lembrava de ter tido tanto pavor desde a última vez que sonhou com o homem do saco fazia um bom tempo.
    E quando tudo parecia ir bem, mais uma vez a maquina ataca e destrói a tubulação de abastecimento d'água de um morador nada amigável.
        - "E quem é que vai concertar?" - O morador reclamou.
        - "Deixa comigo." - Nosso herói logo falou.
    Estavam todos prontos e dispostos a concertar, mas a grana era o responsável que devia desembolsar. E nisso todos olharam para o nosso herói esperando algo, e algo ele falou:
        - "Eu por acaso tenho cara de Papai Noel?"
        - "Mas doutor...É o responsável quem tem que comprar o material pra gente trabalhar."
    "Droga", ele pensou, "Esse cara tem razão." Sacou sua carteira em busca de algum dinheiro. E como ele desejava que aquelas notas do banco imobiliário que a vida inteira ganhou agora lhe servissem.
    Mais um problema resolvido e o dia logo chegaria ao fim. Começou como um dia qualquer o que acabou se tornando um dos dias mais importantes da vida de nosso herói. Foi ali, enquanto olhava todas aquelas pessoas indo embora, enquanto assistia aquela monstruosidade de máquina sendo levada embora, era enquanto assistia o sol se por sentado no meio fio olhando para o céu que ele finalmente percebeu toda a responsabilidade que encarou naquele dia, foi quando ele finalmente percebeu como havia se saído bem embora todas as dificuldades, foi ali naquele momento que ele percebeu que com a idade vinham as responsabilidades e a única forma de enfrentar aquilo tudo era com maturidade. Ele achava que não tinha nem sequer uma gota de maturidade. Desde o início daquele ano ele havia decidido que era a hora de fazer algo de sua vida, começar a trabalhar, mas maturidade não era o que via de forma alguma em si mesmo, afinal, até pouco tempo ele nem mesmo sabia que era possível ir ao zoológico se não fosse pelo passeio escolar. E foi quando o último raio de sol sumiu no horizonte que ele finalmente pode enxergar, ele cresceu.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

A Estrada Temperamental

    Terrafirme. Era como costumavam chamar. Uma longa e longa estrada tão antiga quanto o próprio tempo. Histórias diziam que antes mesmo do primeiro ser vivo começar a rastejar pela terra, aquela estrada já estava lá. Algo curioso sobre ela é que ela parecia sempre infinita e ainda assim não parava de crescer. Era como se tivesse vida própria. Aliás, ela tinha vida própria e era bastante temperamental. Se de alguma forma ela se sentir ofendida enquanto você estiver atravessando por ela, bom, digamos apenas que é melhor que não a insulte, nem mesmo pense nisso.
    Bom, você deve estar se perguntando por que motivos alguém se atreveria a seguir por uma estrada tão temperamental quanto a nossa querida e amarelada Estrada Dolor, passaram a chamá-la assim depois da grande crise de memória que teve quando não sabia mais como chegar aos lugares. Ah, péssima época, bastava entrar na estrada mesmo que pra ir à esquina comprar alguns pães e ovos pra fazer um café da manhã e ela te jogava pro outro lado do continente no meio de todos aqueles piratas do deserto, mas falaremos sobre esses piratas mais tarde.
    Onde eu estava? Ah, sim...falava da estrada de Dédalo. Não aquele Dédalo grego famoso por criar o labirinto de Creta que foi usado para prender aquele amável minotauro, tá pra nascer criatura mais gentil, e festeira, boatos dizem que o minotauro é o responsável pelas maiores festas do Olimpo, coisa de dar inveja no próprio Dionísio. Mas voltando ao nosso mago, Dédalo, esse sim era um mago bem complicado. Era graças a ele que a estrada havia se tornado tão temperamental e expansiva. Nada que fazia saía como queria. Foi tentando criar um feitiço rápido pra conseguir fazer ovos fritos instantâneos que ele criou vida e fez sair uma galinha de dentro daquele ovo. Isso teve um impacto terrível na economia agropecuária, pois até então a única forma de se conseguir ovos era plantando uma muda de abacate misturado com feijão e goiaba, tudo isso dentro de um coco à numa profundidade seis vezes o tamanho da perna do velho Ton. Tudo isso pra um mês depois se conseguir duas dúzias de ovos, e depois todo o processo deveria se repetir. Bom, graças à Dédalo surgiram pequenas criaturas gordinhas que podiam cagar essas coisas. Isso obviamente não agradou nem um pouco os senhores donos de todas aquelas plantações de ovos e resultou no segundo assassinato dele. O primeiro foi só um acidente com um secador de cabelo.
    Acho que acabei divagando e perdi o foco da história que era como nosso herói, Jonas Jonas, estava indo naquela estrada e o por que, mas acho melhor deixar essa história pra outro dia.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Depois da hora - Três meses depois

    A primeira semana foi a mais difícil.
    A segunda pior ainda.
    A terceira, ah, essa não foi nada boa.
    Mas na quarta ela começou a aceitar sua condição.
    Nada daquilo fazia sentido. Para Ana, depois que morremos apenas a eterna escuridão e o vazio nos espera. Mas aquilo? Estava destinada a vagar sem rumo algum ou qualquer contato com qualquer pessoa viva? E se aquilo acontecia com todos aqueles que morriam, por que é que até agora, dois meses depois de sua morte, não havia visto nenhuma outra pessoa sequer na mesma situação? Alguma coisa não estava certa, e no início do terceiro mês, ela estava decidida a descobrir o que era.
    Teria alguma coisa a ver com a sua família? Não, ela já havia visitado todos e ninguém parecia notar que estava lá. Amigos? Bom, nenhum deles também pareceu notá-la. Seriam negócios inacabados? Já havia visto alguns filmes sobre isso. A pessoa morre e sua alma não recebe um descanso enquanto resolvesse alguma pendência. Mas, o que poderia ser essa pendência?
    Ana tentava se lembrar do dia de sua morte, mas nada vinha. Já estava morta por 3 meses e ainda não havia conseguido se lembrar de como morreu. Ela sabia que havia alguma coisa a ver com fogo, já que sua casa estava completamente tostada.
    Já que não conseguia se lembrar do dia, ou mesmo da semana de sua morte ela resolveu tentar com algo mais fácil. Qual era a última coisa que se lembrava? Jonas. Bom, já era um começo. Mas por que Jonas? Teria ele alguma coisa com sua morte? Não. Não Jonas, ele não faria uma coisa dessas. Faria? Bom, havia algo mais que ela devia se lembrar. Tinha completa certeza de que era algo extremamente importante. Talvez Jonas soubesse. Ele com certeza saberia.