quinta-feira, 21 de novembro de 2013

O Fantástico Mundo - Uma Ilha?

    Ploc... ploc... ploc... De onde vinha... ploc... essa água? ...ploc... Uma enorme dor... ploc... bem na minha cabeça. Ploc... Eu me levantei tentando focar em qualquer coisa que estivesse pela frente. A dificuldade era grande, mas eu via o azul. Um longo e enorme oceano azul. Foi de lá que eu vim? Aquele som? Parou. Por que parou?
    Quando me levantei e olhei para baixo vi uma grande poça vermelha. Aquilo só podia ser meu sangue. Mas de onde é que vinha... Arg...é daí que vem. Mas onde foi que eu bati com a cabeça? Bom, isso não importa. Agora eu preciso descobrir que lugar é esse. A última coisa que lembro é estar olhando as estrelas enquanto boiava numa jangada no meio do nada.
    Nenhum sinal da jangada. Mas a o deck onde eu estava se parecia muito com ela. Restava eu seguir em frente e ver o que podia encontrar.
    Logo no fim do corredor do deck tinha uma cabana de madeira. A porta estava aberta. - "Tem alguém aí?" - Ninguém respondeu. Do lado de dentro tinha uma mesa grande com algumas folhas espalhadas, mas a poeira era tanta que mal podia distinguir o que era cada coisa. Cercando toda a parede da cabana, exceto pela porta, haviam estantes ainda mais empoeiradas que a mesa ali no centro. Alguns frascos que pareciam vazios, nada que pudesse identificar.
    Tirei a poeira de uma das folhas e vi um mapa e ali estava o deck. Aquilo era uma ilha, parecia deserta já que não havia nada que indicasse casas construídas por lá. Mas o mapa indicava algo importante bem no centro da ilha. Que maravilha, era no topo de uma montanha que não parecia nada fácil de se escalar.
    Por mais que odiasse, aquela era a única coisa de útil que havia encontrado naquela cabana. Não me restava nada a fazer a não ser subir naquela montanha e descobrir na sorte o que mais vinha pela frente.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

O Fantástico Mundo - Acordando em Águas Misteriosas

    Tudo parecia estar pela primeira vez em paz. Não havia nada com o que se preocupar, na verdade não havia nada. Apenas o vazio, e por mais que isso possa assustar algumas pessoas, aquilo me acalmava. Como se pudesse vagar pelo vazio por eras enquanto pensava na simples inexistência das coisas ou se um dia elas iriam existir, e se já existiram, por que é que deixaram de existir. Nada além da minha própria consciência. Poderia viver daquela forma eternamente, se é que viver é a palavra certa. Mas nada que é bom dura eternamente e aquilo tudo logo seria interrompido.
    Parecia que água estava percorrendo por meu rosto, o que não fazia sentido, pois até tempo atrás não existia nada, como poderia eu ter um rosto? Como poderia existir água? E aquilo percorrendo por meus cabelos? Seria aquilo o vento? Nada mais fazia sentido naquele lugar, até que meus olhos se abriram. Perdi a noção de quanto tempo levei até que pudesse enxergar qualquer coisa pela frente nitidamente. Parecia um rio, mas por algum motivo eu não estava afundando nele. Por que é que eu não afundava? Olhei por todas as partes em busca de uma resposta e lá estava. Bem debaixo do meu nariz, literalmente. Aquilo parecia um deck de madeira. Mas algo não estava certo. Pelo que sabia ele deveria estar preso em algo e não a deriva em um rio qualquer.
    Mais uma vez o tempo passou e ali eu presenciei pela primeira vez em muito tempo o nascer do dia e o por do sol. Quantos eu assisti até que encontrasse algo mais que apenas uma vastidão azul pela frente, eu já havia perdido a conta.
    Todos os dias eram nas estrelas que eu me encontrava o mais próximo de toda aquela paz que um dia tive o prazer de viver antes de despertar lá, onde quer que fosse. Era nas estrelas que me perdia em meus pensamentos sobre a minha simples existência e como se nada mais existisse. Elas seguiam por todos os lugares, meu corpo não mais existia e novamente seguia em consciência ao longo de todas elas até que num único segundo todas elas não mais existiam e se escondiam até que o sol mais uma vez ofuscasse a existência de todas elas.
    Naquele último dia em especial, algo havia de diferente. E junto com o sol, lá no horizonte surgiu um pouco de terra, que quanto mais se aproximava, maior parecia.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

O Fantástico Mundo - Momentos de um Passado Perdido

    Perdido em meio a milhares de memórias e constantes sensações de nauseias em meio uma enorme escuridão e uma voz que dizia incessantemente que estava em meu destino. Mas onde é que era esse tal destino? Afinal, o que era o destino?
    Quanto mais buscava memórias sobre qualquer que fosse aquilo que buscava, nada mais encontrava além de um sorriso. Mas que sorriso era aquele? Por longos dias, meses, ou quase um ano fui incapaz de perceber.
    Uma simples fração de segundo, novamente marcada, mas agora havia uma diferença. Podia me movimentar pelo lugar. Ver tudo aquilo que circundava a fonte de toda aquela incerteza do que é que estava acontecendo dentro daquela mente tão conturbada.
    Por horas, dias, talvez por eras passei circulando por aquele lugar. O tempo ali parecia não existir. Apenas um momento congelado estava registrado e ainda assim podia encontrar o suficiente para preencher uma vida sem ter o que faltar.
    A iluminação no lugar era péssima, e com ela havia um zumbido constante de vozes, múrmuros. Do lado direito tinha uma planta, seria aquilo um coqueiro? Disso não tinha certeza, mas podia ver claramente que não cresceria mais do que já havia crescido desde que fora enjaulada dentro daquele vazo de plantas. Ainda assim carregava consigo uma beleza extraordinária que se acentuava ainda mais com aquela pobre iluminação.
    Depois de tanto olhar para todos aqueles rostos eu pode identificar um velho amigo de infância cujo nome não seria capaz de lembrar. Mas que de algo eu lembraria era de sua enorme pança que com o tempo desaparecia. Meu amigo algo parecia dizer, mas nada conseguia entender. Logo depois de examinar o lugar, viu que aquilo era um bar. Em minha direita tudo que havia era um bar. O banheiro era pequeno e apertado, como sabia daquilo, eu não fazia ideia.
    Por mais que todas aquelas informações pareciam me surgir em mente enquanto explorava aquela fração de segundo que estava eternizada em minha mente por algum motivo desconhecido, algo me prendia a atenção. Em meio tudo aquilo havia um sorriso. Uma peruca de longos cabelos cacheados incrivelmente arrepiados tomava conta de toda paisagem, mais aquilo não era um problema. Por algum motivo gostava daquilo. Aqueles olhos estavam bem fechados, mas não o sorriso, e naquela pele morena pobremente iluminada por toda aquela fraca luz amarelada pude perceber que naquele universo havia algo mais que minha simples existência egocêntrica.
    O que era tudo aquilo? Mais uma vez, por muito tempo a resposta fiquei sem saber.

O Fantástico Mundo - O Futuro do Mundo

    E mais uma vez minha memoria havia me enganado e me deixado perdido em meio à multidão. Milhares de rostos passavam ao meu redor, mas nenhum deles conhecido. Que lugar era aquele? Onde diabos estava? Era tudo o que passava em mente, mas nenhuma resposta acolhedora viria àquelas perguntas.
    Já estava caminhando sem rumo havia horas quando a avistou e por um milésimo, uma simples fração de um momento que nunca mais poderia se repetir lá estava ela. Roxo, era a única cor que vinha em meio toda aquela turbulência de informações e pessoas transitando de um lado pro outro em busca de uma resposta para finalmente acalentar suas dúvidas sobre a vida e o que ela viria de lhes apresentar a seguir.
    Anos se passaram e ainda hoje não sei exatamente o que aconteceu, mas o que sei é que desde o momento em que à avistei pela primeira vez em diante eu não mais conseguiria abandoná-la. E lá estava eu seguindo ao seu lado sem mesmo ter certeza de seu nome (isso acontecia com certa frequência) seguindo rumo ao desconhecido. Por alguns lugares passamos, mas entre todos eles apenas um foi capaz de manter seu nome fixo e minha memória por mais que o tempo pudesse me calar. Era Sílvia, assim dizia ser enquanto falava em frente todos nós. Era loira e alta, e era levemente arrogante, ainda sim era uma boa pessoa, porem disso eu só pude saber alguns anos mais a frente e naquele momento estávamos lá assistindo enquanto Sílvia majestosamente nos falava sobre os segredos do universo que poderíamos descobrir caso seguíssemos o seu caminho.
    Sílvia era uma boa pessoa e me fez sentir um enorme lixo por não ser capaz de seguir seus passos a fim de desbravar os segredos que somente ela e poucos nesta terra de tupiniquins conheciam e por dois longos anos esta sensação se alongou até que pudesse conhecer a anã marrenta (mas isso é outra história).
    Depois de lá, seguimos em frente sem saber o que iriamos encontrar. Ainda hoje consigo me lembrar de seus olhos escuros, que alguns dizem ser castanhos, e daqueles caracóis ao longo de seus cabelos. A sensação que estava começando ali era totalmente desconhecida e apenas quase cinco anos depois fui capaz de perceber.
    O que era? Bom, talvez um dia saberá.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

O Fantástico Mundo! 001

Era o fim do primeiro dia quando paramos para descansar.


     O caminho parecia cada vez mais difícil e estávamos exaustos...
     Carlos tinha uma vantagem de alguns segundos. Mas o tempo também parecia ser uma variável um pouco diferente naquele lugar. O que parecia ser apenas alguns segundos de diferença de distância lá, seria capaz de se tornar alguns meses ou até anos, não se sabe ao certo. E essa diferença deu espaço para acontecimentos que acabaram por trazer o triste fim de Carlos e garantir minha passagem pelo longo portal com mais um enorme caminho que levei cerca de 9 meses para atravessar.

     Quando cheguei finalmente na superfície daquele misterioso planeta enorme, pude ver estranhas formas que não pude definir se eram vivas ou apenas faziam parte do próprio planeta.
Parecia uma espécie de rocha que cobria sua estrutura. Mas como eu ouvi nas histórias que Carlos me contava sobre o outro mudo, eu sabia que tinha que descobrir uma forma de passar por aquela camada superficial porque logo depois encontraria um interior puro e confortante. Que era o que todos nós buscávamos, mas eu sábia que seria eu aquele que conseguiria ultrapassar as barreiras da existência.
     Então decidi procurar uma brecha. Andei, andei, andei e quando mais andava em busca da brecha, mais eu perdia as esperanças. Mas foi quando menos esperava que me dei conta de uma estranha movimentação dos ventos em parte daquela superfície.
     Encontrei uma marca que parecia mais uma letra grega. No centro da marca havia uma espécie de fissura que ao me aproximar eu reparei que dela saía uma pequena corrente de ar ou algo parecido, mas que somente de chegar perto trazia uma estranha sensação de felicidade. E quando mais chegava perto mais a fissura aumentava. Até um estranho clarão saiu dela e fui sugado pro interior do grande planeta e mergulhei numa longa viajem.

     Durante a viagem foram 9 meses em um lugar que parecia não existir exactamente, como se fosse apenas um universo que surgiu entre o vazio da existência e dos sonhos. E como eu já disse, o tempo parecia não ter regras naquele lugar, mas o que aconteceu lá são contos para outros dias.
E o que aconteceu com Carlos você também não vai saber agora. Mas fique tranquilo, pois em breve contarei como foi que o que parecia ser impossível acabou acontecendo e reverteu uma situação que parecia irreversível.

E esse foi mais um pouco sobre o começo de tudo. Espero que tenha gostado, pois a partir de agora contarei contos sobre eventos a partir do momento em que terminei essa viajem. Caso você goste dessas histórias, logo ficará sabendo dos contos dos 9 meses esquecidos.

Clique aqui e leia em inglês.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

O Apocalipse Zumbi (post 31)

Capítulo 10 – Malditos Ghouls
Parte 1

René Duarv
Vila Ténor

A porta já estava trancada, mas aquilo não livrava René da ameaça que estava lá fora e ele precisava encontrar algo melhor do que aquela simples porta de madeira para proteger sua avó Marieta.
- Vó? Rápido, temos que encontrar um lugar seguro pra esconder a senhora. - Disse René.
- Me esconder do que? E o que é que está acontecendo lá fora? Que gritaria toda é essa? - Perguntou Marieta.
- Você se lembra daquelas histórias que o vô contava sobre seus antepassados? Bom, parece que algumas delas não eram lendas.
- O que?
- Tinha uma história que ele contava às vezes sobre o Oeste. Sobre os dias sombrios.
- Eu me lembro. Era uma de suas histórias favoritas. Como um de seus antepassados salvou um vilarejo do Oeste de um ataque de Ghouls durante um desses dias sombrios.
- Eu não tenho muita certeza do que eu vi, mas as descrições do vovô batem. Tem umas coisas lá fora atacando a vila. São Ghouls.
- Mas o que você está dizendo? Mesmo que esses Ghouls fossem reais. As lendas eram muito claras em dizer que eles nunca saíam do Oeste. Por mais que fossem criaturas perigosas, existiam coisas piores naquela floresta que até mesmo os Ghouls temiam e por isso nunca saiam do Oeste.
- Vó, eu não pude velos de perto, mas tenho quase certeza de que eram Ghouls, como os da história. E olha só isso. Ainda é meio dia e o céu está escurecendo mais a cada minuto.
Aquilo fez Marieta parar. Era muita informação para processar ao mesmo tempo. Se os Ghouls eram mesmo reais, significava que as outras criaturas de quem seu marido Rudolf contava eram todas reais. Depois de um momento de silêncio ela parecia estar decidida.
- Vá até a sala, empurre o sofá e levante o tapete. Você vai ver um piso falso. Dentro dele tem uma sacola contendo uma arma e roupas usadas pelos seus ancestrais responsáveis pela vigilância da floresta.
Ele o fez e encontrou a sacola. Dentro dela tinha um conjunto de uma roupa um tanto estranha, mas era um tecido marrom feito de algo que René nunca havia visto na vida. Por mais estranho que fosse era algo bem resistente, com certeza o protegeria bem mais do que suas velhas roupas de caça. Além das roupas tinha algo completamente enrolado em um pano velho. Era uma espada. O mais surpreendente era que a lamina da espada ainda estava muito bem afiada que fez com que René cortasse a ponta do dedo indicador com um simples deslizar.
- Olha. Eu tenho certeza de que essa roupa pode ser muito útil. Mas uma espada?
- Seu avô dizia que essa espada foi forjada pelos Agni a mando do próprio Rei Elíadas. Os Agni eram os melhores ferreiros de toda aquela época. Ela tem um símbolo de um dragão esculpido por toda sua empenhadura.
- Empenhadura?
- É a parte onde você segura. Deuses é só olhar que você vai ver onde é.
- É uma espada muito boa e tudo mais. Mas vó. A galera lá fora tá armada com a mais moderna tecnologia e tudo que a gente tem aqui pra se proteger é uma espada de mais de cinco mil anos de idade.
- Não se preocupe. Na casa de Guillian tem um arco e flechas escondido, ele sempre foi muito bom de mira. Vocês vão se sair bem.
- Um arco e flechas? Puta que paril, vamo morrer nessa merda.
- O que foi que você disse meu neto?
- Eh, uh nada não vó. Olha, por que a senhora não se esconde no porão enquanto eu vou buscar esse arco e flechas que vai salvar nossa pele?
- Tudo bem. Já vou indo. Mas tome cuidado e lembre-se do que seu avô lhe ensinou.
Marieta desceu por uma escada escondida que levava ao porão e enquanto isso René vestia as roupas que encontrara até que um barulho veio da porta. Na primeira parecia apenas alguém batendo na porta. Mas logo se tornaram golpes mais fortes. Eram Ghouls tentando arrombar a porta.
René se preparou com a única arma que tinha. Como era canhoto, sacou a espada da bainha presa ao seu cinto com a mão direita e apenas esperou que a porta tombasse. Depois de muitas tentativas, a porta foi ao chão trazendo para dentro de casa a criatura mais horrorosa que René já havia visto na vida até aquele momento.


Continue lendo...(próxima sexta-feira Parte 2)

sexta-feira, 6 de julho de 2012

O Apocalipse Zumbi (post 28)


Capítulo 8 – Portão Norte
Parte 3
René Duarv
Vila Ténor
- Então ele está bem? - Indagou René.
- Ao que tudo indica o soro não o matou. Agora vamos ver se funcionou contra a infecção. - Respondeu Doutora Miller e pegou novamente um aparelho que havia usado antes para checar o sangue de Guillian. - De acordo com os resultados. Parece que o soro 27-D foi efetivo. Ele irá permanecer desacordado até que todo seu corpo se recupere do choque.
- E quanto tempo isso pode demorar?
- Isso só vai depender do seu amigo e do quanto ele gosta de viver.
- Que tal levarmos ele...
Um estranho zumbido vindo do lado de fora do carro tartaruga interrompeu Duane que o fez sacar sua pistola do cinto e correr para o lado de fora fazendo todos, exceto por Guillian que ainda estava desacordado e amarrado na maca, saírem do carro.
- Mas o que foi que aconteceu neste lugar? Onde foi parar o Sol? - Indagou General Duane.
- De onde vieram todas essas nuvens? - Perguntou Steve, que também estava dentro do carro tartaruga ajudando a Doutora Miller.
- Pergunte ao garoto, ele quem deve saber de alguma coisa. - Disse Doutora Miller.
- Do que você tá falando?  - Indagou René.
- Duarv. Não é esse seu sobrenome? Li nos arquivos dessa cidade que os únicos Saltomus restantes aqui eram os da família Minor e Duarv.
- Mas o que isso tem a ver com as nuvens?
- Sua família não lhe contava contos sobre os seus antepassados? Deve haver alguma coisa sobre isso.
- Mas isso não faz sentido. Quer dizer. Meu avô me contava algumas histórias. Mas eram só histórias.
- Garoto. Sua família carrega mais de cinco mil anos de histórias sobre essa floresta. Sejam elas lendas ou reais. Não tem nada sobre o céu fechando de repente em um pleno verão?
- General, na verdade não estamos mais no Oeste. Aqui ainda está na primavera. E no verão é normal que o dia passe de ensolarado para nublado. É o que chamam de chuvas de verão. Tenho certeza de que isso não se trata de uma chuva de verão, apesar de estarmos na primavera. - Explicou Steve.
- Steve. O senhor poderia me fazer o favor de ir se foder. - Resmungou General Duane.
- Calem essas bocas e deixem que o René diga logo o que sabe. - Disse Doutora Miller.
René estava tão focado com o estranho zumbido que vinha da floresta que nem prestava atenção na discussão deles que só retornou quando todos estavam berrando seu nome.
- O meu avô costumava me contar algumas histórias antes de morrer. Uma dela, se eu lembro bem, era a respeito ao Sol. Havia criaturas que perambulavam pela Floresta de Awalon que não suportavam a luz do Sol. Alguns segundos no Sol e feridas enormes de queimaduras surgiam. Mas por algum motivo que não consigo me lembrar disso agora, havia dias em que o céu se fechava e o dia se tornava noite. E finalmente as criaturas podiam sair da floresta durante o dia e teriam um banquete digno de reis. - Explicou René.
- E o que exatamente eles comiam nesse banquete? - Perguntou Steve.
- Qualquer coisa viva. E os seres-humanos eram comida fácil de encontrar e de se matar. Terríveis massacres aconteciam nesses dias negros. Se não me engano, os antigos Saltomus os chamavam de Ghouls. Eram criaturas humanoides bem altas, mas andavam sempre com as costas tão encurvadas que pareciam lobos, principalmente, pela forma que eles andavam, com a ajuda das mãos. Isso dava a eles uma velocidade muito maior do que até mesmo os próprios lobos. Mas pelo que meu avô me contava os massacres só aconteciam na região Oeste da floresta, que era onde essas criaturas viviam.
- E o que as trariam tão longe até o Portão Norte? - Perguntou Steve, novamente.
- Seja lá o que for só vamos descobrir quando chegarmos lá. Agora o que temos que fazer é fechar este maldito portão. - Disse General Duane que logo foi atendido por Steve que correu até os guardas gritando que eles deviam fechar o portão o mais rápido possível.
O portão foi fechado a tempo até que o primeiro Ghoul aparecesse empurrando as grades tentando passar.
- Mas que merda de portão é esse? O que aconteceu com aquele portão enorme de madeira que sempre esteve aí? - Perguntou General Duane.
René riu. Ele achava que o destino estava apenas pregando uma peça com todos eles.
- Nosso querido prefeito Eduardo Sais mandou tirar os portões no mês passado dizendo que iria reforma-los. - Explicou René.
- Droga. Maldito Eduardo Sais. - Resmungou Duane.
- General. São muitos, e não para de chegar mais. Esse portãozinho aí não vai aguentar muito tempo com todos eles forçando a trava.
O pavor se espalhava pela vila e aos poucos saíam maridos com as poucas armas que tinham em casa prontos para defender sua preciosa família que se escondia do mal que a muito tempo não trazia terror aquele lugar.
- Droga, eu tenho que ver minha avó. - Gritou René que logo saiu correndo na direção de sua casa pra alertar sua avó e protege-la e tudo que pode ouvir foi Duane reclamando com Doutora Miller.
- Mas onde é que esse moleque vai?
Nas suas costas veio o som das travas do portão se rompendo seguido por uma enorme gritaria se espalhando por toda a vila e disparos de tiros e sons de corpos caídos no chão. René não pode ver quem fora atacado, ou ao menos se as armas estavam sendo efetivas contra aquelas grotescas criaturas, mas não importava, pois ele estava desarmado. Havia deixado sua arma de caça dentro do carro tartaruga do general e não tinha tempo de busca-la sem ser morto. A casa de sua avó estava apenas há alguns metros de distância e toda sua preciosa Vila Ténor estava sendo massacrada por Ghouls.

Continue lendo...(próxima sexta-feira Capítulo 9)